As sociedades platinas

Do período pós-colonial à identidade atual

Apesar das fronteiras oficiais, mesmo após os processos de independência das nações da América do Sul, significativas áreas do território da região platina permaneciam ainda sobre controle indígena. A partir do século XIX ocorre a ocupação final do território por novos imigrantes europeus de origem italiana, alemã e polonesa, entre outros, desencadeando os últimos conflitos com as populações indígenas ainda livres.

Muitos foram assimilados como cidadãos dos novos estados emergentes, sendo legalmente obrigados a adotar nomes cristãos. Outros foram alocados em reservas. Milhares de mestiços se integraram gradualmente nas sociedades platinas e alguns poucos conseguiram ascender socialmente. De um extremo a outro da região platina persistiu o legado da língua guarani, distinguindo os vocabulários platinos dos idiomas falados na Espanha e em Portugal

Os europeus não tiveram sucesso em recriar totalmente a Europa nestas longínquas paisagens meridionais, mas terminaram se adequando a uma série de circunstâncias ambientais e históricas, bem como tendo de fazer muitas concessões culturais. Os hábitos cotidianos do banho diário, do deitar-se em uma rede, das comidas feitas com milho e mandioca, o uso da variada e abundante farmacopéia baseada em plantas nativas, demostram padrões culturais desconhecidos na Europa e típicos das etnias indígenas.

Uma significativa herança cultural e social ameríndia tornou este novo mundo distinto das metrópoles ibéricas. As interações interétnicas entre brancos e índios terminaram dando origem a uma herança genética indígena não negligenciável. Os contatos e os impactos resultantes dos confrontos interétnicos provocaram igualmente o lento e irreversível etnocídio de culturas aqui estabelecidas há milênios.

Entretanto, essas são realidades históricas que ainda hoje encontram dificuldade de aceitação. A história da região platina foi feita de integração e exclusão de povos e culturas, mas todas contribuíram para a formação da identidade atual da região. Como herdeiras desta tradição histórica, as atuais sociedades defrontam-se com problemas de integração regional que poderiam ser superados a partir da ampliação dos seus conhecimentos sobre sua história comum.

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