|
A estética dos jesuítas é fruto não do Barroco, mas do Maneirismo, e por isto temperada pela contenção das formas sugerida pelo Concílio de Trento. Mas não recusavam as esculturas e as cores, como nas origens beneditinas dos mosteiros medievais. Se a estética cisterciense medieval se pautava por uma arte austera, baseada no despojamento e simplicidade dos edifícios monacais, já na decoração das igrejas missioneiras aceitava-se o testemunho dos sentidos como característico da condição humana. E partia-se de uma certa exuberância de formas e cores para influenciar os neófitos e garantir a salvação dos fiéis.
Destacada entre todas as edificações por suas proporções e importância simbólica, a igreja (eclesia) era sempre construída com muito cuidado e beleza, como pode ser observado na ilustração de São João e nos detalhes em arenito finamente trabalhados das aberturas das laterais. A imagem da fachada da igreja demonstrava igualmente a profusão de cores que dava alegria e convidava os fiéis a entrar.
As suas formas e volumes mostram inequívocas semelhanças com a imagem obtida com a reconstituição da igreja de São Luiz Gonzaga. E também com as igrejas que os jesuítas construíram entre os Chiquitos. Trata-se de uma capela ampliada, afastando-se decididamente do estilo que o arquiteto jesuíta Primoli materializou na igreja de São Miguel. No século 18, praticamente na mesma época em que foi elaborado o desenho policromo do seu plano urbano, a igreja de são João Batista era assim descrita:
O templo deste Povo não é da arquitetura da Igreja de São Miguel, nem da sua grandeza; porém um pouco menos. As suas paredes são de taipa. No interior tem três naves, com colunas (...) de madeira entalhada, tudo de pintura e dourado"
Estas considerações abrem horizontes inesperados para as pesquisas de história da arte missioneira.
|