Aculturação / Transculturação |
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| Sáb, 21 de Março de 2009 19:33 |
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Durante muito tempo o termo aculturação designou a perda da identidade de um grupo face a uma sociedade dominante. Nos estudos desenvolvidos na América, buscou-se compreender a perda de valores culturais por parte de uma etnia indígena face às frentes de colonização da sociedade ocidental industrial. O termo foi usado de maneira próxima ao conceito de “anomia” pelos sociólogos, que sugere a crise na qual um grupo social perde suas normas sociais tradicionais, por não servirem mais para explicar o mundo. Em casos extremos, este etnocídio, ou seja, a morte da cultura, poderia levar também à destruição dos corpos físicos de seus integrantes, ou seja, o genocídio. O conceito logo colocou uma série de problemas, pois os impactos ocorridos (guerra de extermínio, epidemias, choque cultural levando ao suicídio, etc.) seriam os únicos elementos levados em conta, em detrimento da variada série de contatos possíveis, comprovados na documentação histórica e na arqueológica. Ao postular um sentido único nesta relação social, ignoravam-se as mesclas inter-étnicas que deram origem a um número muito grande de mestiços e os consequentes intercâmbios culturais ocorridos. Hoje sabemos que os impactos e os contatos ocorridos nesta complexa relação devem ser estudados caso a caso, em suas historicidades e temporalidades específicas. Surgido a partir dos debates relacionados às limitações do conceito de “aculturação”, o termo designa o processo complexo de intercâmbios culturais que ocorrem quando dos contatos entre sociedades distintas, no decorrer do tempo histórico. Estes contatos podem ser provocados por migrações, ocupações militares ou ser resultantes de processos de colonização. Nestes últimos, os que resultaram em colônias de povoamento deram lugar a intercâmbios culturais e a miscigenações, com resultados profundos e duráveis, no tempo histórico. Os que se limitaram a explorações econômicas pontuais, apenas deram origem a contatos culturais superficiais e limitados. Ocorre o fenômeno da transculturação quando uma etnia se impregna pouco a pouco com os valores culturais impostos ou colocados à disposição por uma sociedade dominante. Na maioria dos casos, nas fronteiras culturais o que ocorre é que as etnias em presença passam a se influenciar mutuamente, havendo uma seleção dos traços que serão incorporados. Os intercâmbios culturais resultantes nos evidenciam uma relação complexa e que ocorre nos dois sentidos, de uma maneira desigual mas sempre gradual e de longa duração. Os contatos podem dar origem a modificações culturais superficiais ou profundas. Esta situação de reciprocidade quase sempre é decorrência das relações biológicas inter-étnicas, que resultam em importantes contingentes sociais de mestiços, geralmente aceitos em ambas as sociedades em presença. Estes indivíduos transitam facilmente entre as sociedades e culturas, o que favoreceu as sínteses culturais ocorridas. |
| Última atualização em Sáb, 21 de Março de 2009 20:33 |